Tragédia do Parque Rodoviário completa oito meses e moradores aguardam reconstrução de casas


Segundo a SDU Sul, das 62 casas atingidas, apenas 12 foram reconstruídas e o restante estão em processo de licitação. Imagem aérea mostra destruição no Parque Rodoviário.
Magno Bonfim/TV Clube
A tragédia do bairro Parque Rodoviário, Zona Sul de Teresina completa oito meses e algumas famílias ainda aguardam pela reconstrução de suas casas. Das cerca de 62 casas destruídas, apenas 12 foram reconstruídas e o restante está em processo de licitação. Moradores temem que uma galeria próximo as casas ofereça riscos aos moradores no início das chuvas, mas a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Sul informou equipes já trabalham para evitar isso.
Famílias serão desapropriadas para construção de galeria
Líder comunitário diz que alertou antes de lagoa transbordar
A enxurrada atingiu as casas, deixou dezenas desabrigados e duas pessoas mortas na noite de 4 de abril deste ano. A água ficava represada dentro do terreno de um clube desativado, localizado próximo ao local. O clube ficava em um terreno mais alto que as casas, contribuindo para a força da enxurrada atingisse as casas.
Um laudo elaborado pela Delegacia de Meio Ambiente e pelo Ministério Público do Piauí (MP-PI) apontou que houve crime ambiental na tragédia e que a empresa responsável pelo clube pode ser responsabilizada. Logo após o incidente, a Prefeitura de Teresina informou que faria um estudo técnico para determinar as causas da enxurrada, mas informou que as investigações ainda estão em andamento.
Agnelo Queiroz, mora no leito da galearia e não pode mais reconstruir a casa no mesmo local. A vítima é responsável por coordenar uma comissão de moradores que tentam na justiça resgatar os bens perdidos. “A luta agora é para tentar reaver nossos bens, como residência, móveis, carro, moto, porque o prejuízo foi grande, minha casa era enorme tinha reformado, gastei bastante na época”, contou.
Casas desabam após lagoa transbordar no Parque Rodoviário.
Gilcilene Araújo/G1
Segundo o morador, cada um dos 30 deputados estaduais prometeram destinar R$ 10 mil em emendas parlamentares para ajudar as vítimas. “Fomos na Secretaria Estadual da Assistência Social semana passada e pedimos informações com o secretário, que nos informou que até o momento tinha sido repassado R$ 70 mil de apenas sete deputados”, disse.
De acordo com o superintendente executivo da SDU Sul, Paulo Roberto, casas já foram reconstruídas e reformadas, outras ainda estão em processo de licitação. “Nos reconstruímos 12 casas, porque elas estavam próximas a galeria e cerca de 50 casas que precisaram de reforma estão em andamento. A desapropriação da área do clube foi decretada pelo prefeito e o processo licitatório das casas já está em andamento e a gente acredita que antes mesmo desse processo de desapropriação ser concluído elas já estejam licitadas para serem iniciadas”, explicou.
A promotora de Justiça Myrian Lago, da Cidadania e dos Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, realizou o acompanhamento desde o início do atendimento aos moradores por parte do poder público. “Realmente não é um processo que tem a velocidade que a gente gostaria, mas é importante dizer que esse atendimento vem acontecendo ainda que em ritmo lento. O prefeito desapropriou a área do clube e as casa serão construídas nesse local”, explicou.
Barragem represava uma lagoa em terreno vizinho ao Parque Rodoviário, Zona Sul de Teresina
Magno Bonfim/ TV Clube
Segundo os moradores, uma galeria presente no local está entupida com lama da época da tragédia, eles temem que com o período de chuva a água volte a se acumular próximo as residências. O superintendente informou que cerca de 500 toneladas de lixo já foram retiradas e equipes estão cuidando para que os moradores não enfrentem problemas com a galeria. Segundo ele, será construído um parque linear, com urbanização, corredores de passeio, ciclovia, academia popular no bairro.
Juciara Amorim, ex-moradora do local, contou que a coisa mais triste de tudo isso foi a perda do seu filho, que não resistiu a forte correnteza. “Um vizinho entrou e conseguiu encontrar meu filho na sala de casa deitado com um colchão completamente encharcado por cima dele. A gente brincava, cantava e ele dizia assim: ‘Mãe eu te amo tanto’. E repetia isso toda noite antes da gente dormir”, contou emocionada.