“Sem corrupção, já sobra dinheiro para proteger brasileiros”, diz Damares

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A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, usa o palanque na ONU para denunciar a corrupção em governos anteriores no Brasil e associar os desvios à violação de direitos humanos. Mas não revela os cortes que diversos programas sociais sofreram durante sua gestão. Segundo ela, o governo de Jair Bolsonaro “herdou” um país devastado pelo desvio de recursos públicos. Agora, sua administração usará o dinheiro recuperado para áreas sociais e chega a dizer que está “começando a sobrar” dinheiro para proteger brasileiros. Ela não citou os cortes de verbas para setores como mulher e meio ambiente, além da Funai.

Seu discurso ocorreu na abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta segunda-feira. No momento de seu discurso, a cúpula da entidade não estava presente. Nem o secretário-geral, Antônio Guterres, e nem Bachelet estavam na sala. “No ano passado, estive nesta tribuna para falar do Brasil que recebemos. Um Brasil mergulhado em corrupção e violência”, afirmou. “Decidimos que a nossa prioridade seria garantir e proteger o primeiro e maior de todos os direitos humanos, o direito à vida. Neste ano, volto para dizer que tomamos a decisão correta”, garantiu. “Em apenas um ano, o número de homicídios já caiu mais de 20%. Mais de 8 mil pessoas não foram assassinadas nno Brasil em 2019. O combate ao crime organizado é nossa prioridade. O número de estupros também foi reduzido e a criança tem sido protegida de forma efetiva”, garantiu.

“Seguimos plenamente engajados no combate à corrupção. Sim, a corrupção era a maior violação de direitos humanos no Brasil”, insistiu. “O governo Bolsonaro recebeu de herança um Estado debilitado por anos de sistemáticos desvios de recursos públicos. Nosso governo, contudo, está decidido a mudar essa realidade. Não fazemos discurso de homenagem aos direitos humanos e à justiça social como cortina de fumaça para o desvio institucionalizado de bilhões de dólares destinados à saúde, à educação, à segurança pública. Estamos, na verdade, fazendo o caminho de volta”, afirmou. “Em 2019, o equivalente a mais de 25 milhões de dólares em ativos recuperados pela Operação Lava-Jato foram destinados à promoção de direitos de adolescentes em conflito com a lei. O dinheiro da corrupção agora vai para políticas públicas de defesa dos direitos humanos”, afirmou. “Sem corrupção, já começa a sobrar dinheiro para proteger nossos brasileiros”, ela garante. “Um dos muitos exemplos é a recente iniciativa do governo Bolsonaro de pagar pensão vitalícia para crianças nascidas com microcefalia em decorrência do zika vírus”, destacou a ministra, que estará com a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet. A chilena foi duramente criticada por Jair Bolsonaro, gerando uma reação internacional contra o presidente brasileiro.

O discurso foi questionado por Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos. “A ministra Damares Alves tentou blindar a imagem do Brasil na ONU com discurso repleto de omissões”, declarou. “O governo Bolsonaro se elegeu a partir de uma plataforma anti-direitos e com discurso de ódio contra indígenas, LGBTs, negros e mulheres”, afirmou. “Esse governo vem implementando exatamente esse discurso. Ele segue apresentando projetos que violam sistematicamente direitos humanos tais como a excludente de ilicitude, ou de mineração em territórios indígenas, enquanto atacam jornalistas com discursos misóginos e chamam pessoas que vivem com HIV/AIDS de ‘despesa para todos no Brasil'”, disse Asano. “O discurso da ministra reflete também o encolhimento da relevância internacional do Brasil. Ser membro do Conselho de Direitos Humanos implica em compromisso na busca de soluções para as diversas crises e opressões nas diferentes regiões do mundo. Damares utilizou seus breves minutos na ONU como mero palanque de autopropaganda do governo Bolsonaro”, completou Camila Asano.

Fonte: Folhapress

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