MPF denuncia Glenn Greenwald e mais 6 pessoas por invasão de celulares

O MPF (Ministério Público Federal) em Brasília denunciou hoje o jornalista Glenn Greenwald e mais seis pessoas por crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades brasileiras no âmbito da Operação Spoofing. São apontadas a prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro, bem como as interceptações telefônicas engendradas pelos investigados. Para o MPF, embora Greenwald não seja investigado nem indiciado, ficou comprovado que ele auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões.

De acordo com a denúncia, assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira, o grupo praticava crimes cibernéticos por meio de três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos (por exemplo, celulares) e lavagem de dinheiro. A denúncia não detalha os crimes de fraudes bancárias. Uma nova ação penal deverá ser apresentada posteriormente para tratar desses crimes, segundo o MPF. A Operação Spoofing pede a condenação dos acusados. Com exceção de Greenwald, todos os outros denunciados responderão pelo crime de lavagem de dinheiro.

Conversa entre Greenwald e hacker O MPF afirma que decidiu incluir Greenwald na denúncia após análise de um MacBook apreendido com autorização da Justiça na casa de um dos investigados na operação Spoofing. No aparelho foi encontrado um áudio de um diálogo entre o jornalista e um suposto hacker. A conversa, segundo a denúncia, teria acontecido logo após a divulgação, pela imprensa, da invasão sofrida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. No áudio, segundo o MPF, o hacker diz que as invasões e o monitoramento das comunicações telefônicas ainda eram realizadas e pede orientações ao jornalista sobre a possibilidade de “baixar” o conteúdo de contas do Telegram de criminosos.

“Greenwald, diferentemente da tese por ele apresentada, recebeu o material de origem ilícita, enquanto a organização criminosa ainda praticava os crimes”, diz a denúncia. O UOL procurou Glenn Greenwald sobre a acusação, mas ele ainda não se manifestou. Assim que o fizer, a manifestação do jornalista será incluída na reportagem. O MPF disse, ainda, que o jornalista não era alvo das investigações, em respeito à medida cautelar proferida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, que proibiu investigações contra Greenwald. Uma cópia da denúncia será encaminhada à Procuradoria-Geral da República para que subsidie eventual pedido de revogação da decisão do ministro.

Fonte: Folhapresss


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