Estátua de Iemanjá é depredada pela 4° vez no ano em Teresina; grupos pedem proteção para a imagem


Os grupos religiosos tomaram conhecimento na tarde dessa quarta-feira (4), quando as mãos de Iemanjá foram quebradas. Estátua da Iemanjá
Rafaela Leal/G1
A estátua de Iemanjá, localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, foi depredada pela quarta vez neste ano. Recentemente, a imagem havia passado por uma reforma realizada pela prefeitura.
Representantes dos grupos religiosos de matriz africana tomaram conhecimento da depredação na tarde dessa quarta-feira (4). O vice-coordenador do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), Rondinele de Oxum, explicou que, desta vez, quebraram as mãos do orixá feminino.
“Isso vem acontecendo constantemente. Nós recebemos a notícia na terça, quando algumas pessoas nos mandaram fotos informando que haviam quebrado as mãos da Iemanjá. Foi feita uma reforma há alguns dias e, logo quando encerrou, a imagem foi quebrada de novo”, comentou.
Estátua de Iemanjá teve as mãos cortadas em Teresina
Rafaela Leal/G1 PI
Rondinele pontuou que a imagem estaria mais segura se tivesse continuado no local de origem, que era no cais do Troca-Troca, na Avenida Maranhão. Para o representante do grupo religioso, a estátua foi retirada para a execução de uma obra.
“A ideia era que ela voltasse para o seu devido lugar, mas com a estrutura consistente, de uma forma que ela pudesse ser mantida. Ali, há uma movimentação de pessoas e, então, fica mais complicado de alguém depredar. Ela foi retirada do espaço porque iria acontecer uma obra ao lado do cais”, contou.
Pedido de proteção
Rondinele de Oxum afirmou que é necessária uma proteção da estátua e a realocação dela para um espaço em que haja uma maior movimentação de pessoas. “A Guarda Municipal, responsável pela segurança do patrimônio, faz rondas. Mas será que isso minimiza? Não. Eles não estão lá toda hora. Então, a imagem tem que ter uma proteção, tem que ser colocada em um local que exista movimentação de pessoas. Em Timon, a estátua é protegida, feita em um local melhor”, declarou.
Falta de atuação pelo poder público
O vice-coordenador da Cenarab informou que há um descaso por parte do poder público para o zelo da estátua. A reforma foi feita pela Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e de Assistência Social (Semtcas), mas, segundo ele, a responsabilidade é da Fundação Cultural Monsenhor Chaves.
“A última reforma foi realizada pela Semtcas. Entretanto, quem deveria cuidar era a Fundação Cultural de Teresina, porque trata-se de um patrimônio cultural religioso do município. Mesmo assim, não estão tendo nem a preocupação de cuidar, ou seja, de zelar, por esse patrimônio”, afirmou.
Ao G1, a Fundação Cultural Monsenhor Chaves informou que não é de sua responsabilidade a estátua de Iemanjá.