Escorregões no Português

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CONCORDÂNCIA FEIA
Comentarista respeitado da TV GLOBO: “Falam-se dos cortes do orçamento, mas esquecem-se dos cortes do desperdício.

Que tal começar pelo corte das incorreções do texto? Os verbos FALAR e ESQUECER não podem ficar no plural, porque o sujeito não é CORTES. O SUJEITO é indeterminado, SE (alguém). Isto ocorre quando o verbo é transitivo indireto, isto é, exige preposição: FALAR DE, ESQUECER-SE DE. Quer exemplos para destilar as dúvidas? NECESSITA-SE de enfermeiros (e não, necessitam-se); CONFIA-SE, facilmente, nas empregadas domésticas (e não, confiam-se). Complemento de verbo que rege com preposição chama-se OBJETO INDIRETO

Quando o verbo não vem acompanhado da preposição, você deve observar se o sujeito se encontra no plural: Vendem-se casas; Vende-se casa; Procuram-se profissionais competentes; Procura-se profissional competente. Estabeleceram-se, no início da gestão, duas exigências: espírito coletivo e assiduidade ao trabalho.

ANALGÉSICO
O cordelista JOAQUIM DA MATTA pergunta por telefone: “ANALGÉSICO não deveria se chamar ORALGÉSICO?”

Observe o prefixo grego ANA, que significa SEPARAR, ANULAR. Daí ANÁLISE, ANADOR, ANISTIA, ANALGÉSICO.

Observe o prefixo grego ANA, que significa SEPARAR, ANULAR. Daí ANÁLISE, ANADOR, ANISTIA, ANALGÉSICO.

Para Joaquim o correto seria ORALGÉSICO. Neste raciocínio, caro cordelista, que tal ANALGÉSICO referir-se a ANUS ou ANAL?!

REDUNDÂNCIA
Jornalista, direto de BRASÍLIA: “O SENADO aprovou, em primeiro turno, a proposta que propõe congelamento de investimentos públicos por 20 anos”

PROPOSTA QUE PROPÕE? Não proponho uso tão banal.

GRATIDÃO
Fervorosa aniversariante expressou: “Hoje é o meu dia! Que o amor e a fé que tenho se eternize no meu coração e na minha alma! Gratidão a Deus por tudo…”

AMOR e a FÉ SÓ SE ETERNIZAM com a concordância verbal correta.

E concluiu: “Estou mim sentindo agradecida, obrigada, SENHOR!”.

Como se sentir bem com indigesto MIM? Lembrando que os pronomes MIM, TI e Si não podem ser usados como sujeitos, somente acompanhados da preposição: Ai de MIM sem TI; Ela falava de SI para MIM


VIROSE
“Quando a saúde é abalada por uma tal de ‘virose’, ficamos vulnerável; ficamos, assim, meio frágil!”

Verdade, especialmente quando a saúde da frase é abalada pela praga da discordância verbal ou nominal. Conheço uma amiga que foi hospitalizada por engolir o plural nos adjetivos VULNERÁVEL e FRÁGIL. Médicos chegaram a duvidar de CORONAVÍRUS.

NILO RAIOL
O conhecido empresário do setor de aviões e turismo solicita-me explicações para uma frase dirigida por jornalista ao entrevistado: “Fulano, quero agradecê-lo.”

Realmente, NILO, o apresentador não soube agradecer. Eu é que lhe agradeço o email.

José Maria Vasconcelos
[email protected]

 
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