Em fiscalização, CRM-PI encontra UBS incinerando lixo hospitalar

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Em vistorias recentes realizadas em dois municípios do norte do Estado, o Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Piauí – CRM-PI – encontrou diversas irregularidades, algumas delas idênticas à notificadas em outros municípios, como a queima de lixo hospitalar nas próprias dependências de unidades básicas de saúde.

No município de União, a 65 km de Teresina, a Unidade Básica de Saúde Ana Nery, localizada no povoado David Caldas, o CRM-PI flagrou lixo hospitalar a céu aberto sendo incinerado, sem nenhum tipo de coleta adequada, problema idêntico registrado em fiscalização realizada em fevereiro no município de Bom Princípio do Piauí, sul do Estado. É a segunda vez que a UBS de União é flagrada continuando essa prática ilegal (a primeira foi em maio de 2019), oportunidade na qual a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada e cobrada para as providências quanto ao gerenciamento dos resíduos sólidos, tendo prazo de 30 dias para resolver o problema com a coleta adequada do descarte de material, como seringas e luvas contaminadas. . O CRM-PI também encaminhou relatório técnico para o promotor do Ministério Público local.

Não muito distante de União, no Hospital Municipal Pedro Vasconcelos, município de Miguel Alves, foram registradas muitas irregularidades. Para começar, o prédio possui várias rachaduras e infiltrações na estrutura, o que demonstra péssimo estado de conservação do bem público. Na área COVID-19 havia profissionais sem os EPIs obrigatórios, usando aventais inadequados conforme a nota técnica GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 05/2020 e a área de desparamentação também é utilizada como depósito para materiais de limpeza, além de haver cruzamento de profissionais paramentados e desparamentados. A farmácia contava com algumas medicações, porém com falta de medicações para atendimento de urgência como dopamina, midazolam e bloqueadores musculares. Mofo nas paredes, insetos e lagartixas foram vistos na área interna, além de esgoto a céu aberto e galinhas circulando na área externa do hospital. Além disso, nas paredes da cozinha, os azulejos estão em parte caídos, contribuindo para o acúmulo de insetos e bactérias nas fissuras.

Prof.Hosp .Miguel Alves em Ala Covid sem EPIS
Profissional de saúde não usa EPIs em ala de covid-19

A fiscalização registrou que o hospital só possui um carrinho de parada para atendimento de todo hospital e que está incompleto, não há monitores para acompanhar sinais vitais, não há desfibrilador cardíaco, apenas DEA que tem uso restrito para atendimento de urgência, o laringoscópio não tem todas as lâminas obrigatórias e não há ventilador mecânico para uso em pacientes graves. Único insumo para pacientes com insuficiência respiratória é cateter de oxigênio, não tendo máscaras não reinalantes ou cateter de alto fluxo para pacientes que necessitem de maior aporte de oxigênio. A lavanderia e o expurgo não possuem fluxo adequado, com risco de contaminação do vestuário e equipamentos estéreis. Os banheiros não contam com acessibilidade para cadeirantes e as instalações elétricas estão precárias.

Lama e galinha na area externa
Lama e animais na área externa do hospital

A diretora geral do hospital, Leila Lira, informou ter todos os EPIs disponíveis, mas os profissionais se recusam a utilizar. O CRM-PI encaminhará notificação para que sejam providenciadas as correções das irregularidades. A equipe foi informada pela direção que uma reforma física se iniciará em breve, mas não informaram data de início.

Fonte: Ascom

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